Diario de bordo

 

Uma viagem às ilhas submersas do Atlântico - LusoExpedição 2006 rumo ao Gorringe

Desde que me lembro que o mar me fascina. Passei horas a ver os documentários de Jacques Costeau e dias inteiros a ver imagens dos fundos marinhos e dos estranhos seres que neles habitam. Lembro-me de algas do tamanho de árvores, corais que se reproduziam em simultâneo na mesma noite ao longo de centenas de kilómetros e peixes que sobreviviam e combatiam fora de água para defender o seu território. Este era um mundo fascinante e misterioso que eu tentava desvendar vendo mais documentários e lendo mais e mais livros.


Foi por isso natural para todos quando abracei a profissão de biólogo e me comecei a dedicar ao mergulho e ao estudo do comportamento e da evolução de alguns peixes da nossa fauna costeira. Estes trabalhos têm sido dedicados a pequenos peixes, na sua grande maioria tímidos, a que chamamos genericamente “cabozes”, mas que englobam mais de 30 espécies distintas só no litoral rochoso Português. Estas pequenas criaturas, por vezes de um castanho-esverdeado – quase invisíveis no meio das rochas e algas – e outras vezes cor-de-laranja ou amarelo vivo – quando a função principal não é a esconderem-se dos predadores mas sim atrairem uma parceira para o ninho – olham para nós directamente com olhares curiosos de tal forma inquisidores que muitas vezes me perguntei se era eu que estava a observar o comportamento deles ou se eram eles que estavam a observar o meu. Lembro-me uma vez de me rir para mim próprio quando, num destes mergulhos, imaginei um destes pequenos peixes com um lápis e uma placa de acrílico (que utilizamos para escrever debaixo de água) a preencher uma tabela com os meus comportamentos: “a criatura liberta bolhas de ar de um objecto estranho que tem na boca”; “tem uma capacidade de estabilização muito deficiente” ou – a minha preferida - “a criatura a nadar é mais lenta que um invertebrado”.


O interesse pelo estudo da evolução das espécies atingiu-me quando me comecei a aperceber, em conjunto com outros colegas, que existem diferenças quase imperceptíveis entre peixes da mesma espécie recolhidos nos Açores, na Madeira ou em Portugal Continental. Será que estavam a caminho de se “transformarem” em novas espécies? Como é que teriam chegado a estes arquipélagos remotos e há quanto tempo é que isso teria acontecido? Teriam vindo da costa Americana “à boleia” da corrente do Golfo ou teriam seguido o percurso inverso desde as costas Europeia e Africana?


Foi neste percurso que comecei, sem me aperceber, a realizar o meu sonho. Fiz muitos mergulhos de trabalho em que frequentemente era o manómetro de pressão do ar na garrafa ou simplesmente o frio que me lembravam que o meu lugar não era ali, pelo menos durante o tempo que gostaria. Nestes mergulhos era raro ultrapassar os 8 m de profundidade pelo que era frequente passar cerca de 2 horas perdido nos meus afazeres, o que seria impensável, por exemplo, a 30 m onde o ar é consumido cerca de três vezes mais depressa e onde atingimos a saturação de azoto ao fim de 20 min.


Estas actividades de investigação são intercaladas com outra que me dá igual prazer: dou aulas de evolução aos alunos do curso de Biologia da Universidade Lusófona. Tenho a sorte de ter um conjunto de colegas a todos os níveis excelentes e de ter alunos que genuinamente gostam daquilo que andam a estudar.


Foi assim que mais uma parte do sonho se concretizou na forma de uma expedição oceanográfica com 52 pessoas a trabalhar para um objectivo comum: a LusoExpedição 2006. Esta idéia, que explicarei adiante, surgiu numa conversa casual com um colega, o Gonçalo Calado, que queria encontrar uma forma de ir recolher organismos ao Banco do Gorringe, que se situa a cerca de 150 milhas a sudoeste do Cabo de S. Vicente, aproximadamente a um terço do percurso para a Madeira.


Depois desta primeira conversa, e também de uma forma casual, falámos com o Prof. Pinto de Abreu, Director do curso de Ciências do Mar e Vice-Reitor da Universidade Lusófona. O entusiasmo com que recebeu a idéia deixou-nos convictos de que tudo era possível. Nunca mais me vou esquecer da expressão que usou: “força vamos a isso...fogo à peça”.
A partir daqui tudo se desenrolou a uma velocidade inaudita: a opção pelo NTM Creoula um lugre com 4 mastros e 67 metros de comprimento da Armada Portuguesa; o envolvimento de diversos orgãos de comunicação social entre eles a 2: que se interessou imediatamente em filmar conosco dois programas “Bombordo”; o entusiasmo dos alunos que nos batiam à porta do gabinete a perguntar o que era preciso fazer para ajudar...
Depois desta sequência vertiginosa, que também passou pela difícil angariação de patrocínios e organização da logística para 52 pessoas, só me lembro de estar a bordo do NTM Creoula no dia 2 de Junho, de me sentar 5 seg. na proa aproveitando uma lingua de sombra de um dos mastros do Creoula, e de pensar: “conseguimos, agora acredito que vamos realizar a expedição”.


A viagem em si guardava diversas boas surpresas. Fomos divididos em equipas, cada uma responsável por um dos 4 mastros e imediatamente se ouviu nos altifalantes roufenhos do navio: “atenção instruendos: faina geral de mastros”. Numa azáfama, todos se dirigiram aos seus postos onde receberam instruções dos elementos da tripulação do navio: “folga o traquete”; “sobe a mezena, mais 5 pessoas para segurar este cabo”.
Com as velas cheias o navio parece adquirir um novo fôlego que ninguém esperava de um bacalhoeiro ancião com aquela envergadura. Rapidamente deixámos para trás os 5 nós que estavam previstos e atingimos os 9 nós quando um grupo de cerca de 30 golfinhos-comuns se cruzou conosco. Este encontro inesperado interrompeu momentaneamente a actividade febril a bordo com a preparação do nosso laboratório de campanha na biblioteca do navio. Excedendo as perspectivas mais optimistas às 16:30 do dia 3 de Junho (o 2º dia de viagem) já tinhamos diversos cumes marcados com bóias depois de localizados com a mestria de quem já anda no mar há muitos anos. Os “culpados” foram o Comandante Silva Ramos e o Prof. Pinto de Abreu que havia assumido a identidade do seu anterior alter-ego de Comandante da Armada, que formaram um dueto que controlava ao milimetro o rumo do Creoula e a profundidade indicada pela sonda. A forma como os dois, com tantos anos de mar, se entusiasmaram com estas tarefas cruciais para o êxito da missão, foram verdadeiramente inspiradoras para todos nós. Por outro lado o José Tourais e a sua equipa de mergulhadores confirmavam as profundidades com sondas portáteis nos semirígidos e organizavam os grupos de mergulhadores. Estava tudo a correr bem.


A partir desta altura o fascínio da navegação em alto-mar, as manobras com as velas e as perguntas como: “para que lado é bombordo?” – felizmente este último conceito foi uma coisa que nunca me confundiu dadas as minhas preferências políticas – deram lugar à ansiedade em relação ao que iamos encontrar debaixo de água. Num ápice apareceram no convés tabuleiros, pinças, frascos e restante material de triagen – os alunos estavam prontos para a sua tarefa – bem como equipamentos de mergulho, câmaras, frascos de anestésico e camaroeiros – os biólogos e os técnicos de mergulho também estavam prontos. Entretanto a tripulação do Creoula, fazendo jus à fama de organização da marinha, já nos tinha passado à frente e os semirígidos aguardavam na água sob as ordens do Imediato Rodrigo Castro.


Que equipa fantástica estava ali reunida...
O primeiro dos 10 mergulhos que realizámos não defraudou as espectativas. A corrente forte que se fazia sentir obrigou a alguns cuidados extra em termos de segurança mas com as indicações do José Tourais e da Isabel Alpiarça descemos para um mar de um azul-turquesa que ainda hoje me desperta saudades. Estas águas oceânicas, sem a influência das escorrências continentais, estavam de tal forma translúcidas que a equipa de mergulhadores parecia estar em queda livre e, para aumentar ainda mais o entusiasmo, fomos escoltados até ao fundo por um cardume com várias centenas de lírios cujo mais pequeno teria cerca de 40 cm de comprimento. Agora sim, estava a fazer aquilo que gostava num ambiente que parecia tirado de um daqueles documentários que tinham ficado no meu imaginário há muitos anos atrás. Os lírios, curiosos com a nossa presença e com os reflexos das bolhas de ar que libertávamos formavam uma parede à nossa volta de tal forma que parecia que estávamos a descer num poço em que as paredes mexiam se lhes tentávamos tocar.


Neste mergulho estava particularmente interessado nos tais cabozes que eram um dos objectivos do meu trabalho e que até então nunca haviam sido encontrados no Gorringe (nenhuma das várias dezenas de espécies que seria provável existirem). Sabia por isso que a fasquia estava alta.
Tentei sacudir aquele turpor de quem está rendido ao espectáculo logo a partir da altura em que sobem o pano e concentrei-me no grupo de mergulho e nas minhas tarefas. Junto ao fundo a peça desenrolava-se com outros actores: cardumes imensos de bodiões, peixes-porco, garoupas-da-pedra, castanhetas, cavacos de tamanhos que nunca havia visto, algas e esponjas de todas as cores. Os responsáveis pelo cenário desta peça não tinham poupado esforços nem recursos. O mergulho, a mais do que 30 metros, terminou segundos depois de ter começado, ou pelo menos foi essa a sensação com que fiquei. No entanto, as nossas tentativas para capturar alguns exemplares de peixes, mesmo com o anestésico que levámos, revelaram-se infrutiferas.

Regressámos maravilhados com o espectáculo mas com a sensação amarga de que o objectivo não tinha sido cumprido. Felizmente que por um lado o David Abecasis, da Universidade do Algarve que aceitou o nosso convite para se juntar à LusoExpedição, conseguiu realizar os censos visuais a que se tinha proposto e, por outro, os nossos colegas do segundo grupo de mergulhadores tinham tido sucesso nas recolhas de algas e invertebrados. A actividade era febril no convés do navio: “encontrámos um nudibrânquio”; “já viram a quantidade de organismos que vivem dentro desta esponja”; “esta alga não estava descrita para o Gorringe e no entanto até é comum”, comentavam o Nuno Álvaro da Universidade dos Açores e a Joana Xavier da Universidade de Amsterdão, que também nos acompanharam, com alguns alunos.


Nessa noite, depois de mais um mergulho que, por ter sido realizado na estofa da maré, foi muito mais tranquilo em termos de corrente mas igualmente infrutífero no que aos peixes diz respeito, realizámos mais uma de muitas palestras nocturnas. Na noite anterior havia sido a primeira. Tinhamos levado um projector de vídeo e, no meio do Atlântico e sob um céu coberto de estrelas, observamos a sequência de slides que passavam na vela do navio à medida que o Frederico Cardigos, também da Universidade dos Açores, desfiava aquilo que já se conhecia anteriormente da fauna e flora do Gorringe, a partir dos dados obtidos em expedições anteriores.


Nesta segunda noite, embalados pelo cansaço todos dormiram um sono retemperador...todos menos aqueles que estavam de quarto de vigia, porque a bordo do Creoula todos participam num horário rotativo que, de 4 em 4 horas, passa o testemunho ao grupo seguinte. Cada gupo no seu quarto de vigia tinha que cumprir as tarefas de vigia e manutenção do navio. Mas o convívio excelente entre a população universitária a bordo e todos os elementos da tripulação do Creoula, em conjunto com os reflexos da lua no mar e um horizonte longínquo que convidava à reflexão, foram uma mais valia para passar aquelas horas mais complicadas.


No terceiro e quarto dias a sorte começou a sorrir-nos com as capturas de peixes e começaram a acumular-se amostras: umas castanhetas, alguns bodiões, uma cavala, umas garoupas-da-pedra, com o azul iridiscente das castanhetas e as cores vivas dos bodiões a fazerem-nos pensar que estavamos a observar peixes de algum paraiso tropical cujos corais fervilham de cor. No que diz respeito aos cabozes, maioritariamente pertencentes a duas famílias de peixes: os blenídeos e os gobídeos, começavamos a duvidar se de facto existiriam neste local uma vez que ainda não tinhamos sequer avistado nenhum. Podia haver duas razões: ou o comportamento e cores crípticas que estes peixes apresentam  lhes tinham permitido manter-se ocultos (normalmente escondem-se em fendas ou sob as rochas ou algas e possuem cores que lhes permitem camuflar-se confundindo-se com o fundo), ou então não existem de facto neste arquipélago de pequenas ilhas submersas.

Custava-nos a acreditar que esta última explicação fosse a correcta, não só porque algumas destas espécies são extremamente abundantes no litoral rochoso da costa continental Portuguesa e Africana, como pelo facto de existirem também nos arquipélagos das Canárias, Madeira e Açores. Ainda por cima, temos indicações, a partir de dados genéticos de trabalhos anteriores, que estas populações insulares teriam tido origem na costa Africana. Será que estes cumes têm áreas de tal forma reduzidas que não suportam uma população de indivíduos de nenhuma destas espécies? Parecia-nos improvável mas tinhamos que nos render às evidências.


No último mergulho do quarto dia, finalmente, houve um grito de satisfação. Tinha sido avistado um góbio-leopardo que desapareceu numa fenda onde era impossível alcança-lo. O David Abecacis tirou uma fotografia, infelizmente desfocada, de um outro que pela cor e pelo perfil só podia ser um caboz-lusitano. Nenhum tinha sido capturado, mas tinhamos avançado um passo e tinhamos acrescentado mais duas espécies à fauna descrita para o Gorringe. Neste mergulho capturámos ainda bodiões e diversos cavacos que soltámos depois de retirar uma porção mínima de tecido para posteriores análises genéticas. Tudo isto perante o olhar horrorizado dos elementos da tripulação, que ao verem tal petisco a voar borda fora, desejaram naquele instante fazer o mesmo aos malfadados biólogos que os tinham trazido para o meio do Oceano onde nem sequer dava para desembarcar. Isto perante uma sonora gargalhada do meu colega Nuno Álvaro que observava tudo a uma distância segura e perante o brilho nos olhos dos nossos alunos, que sentiam estar a fazer um trabalho que não implicava estar a sacrificar os organismos estudados.

É outra das coisas que vou guardar na memória, a satisfação na cara de todos os que tiveram oportunidade de soltar cada um dos peixes. Afinal para que é que haviamos de sacrificar tantas daquelas criaturas lindissímas, com cores ainda mais vivas uma vez que estavam à superfície e não a 40 m de profundidade, se conseguiamos retirar o DNA que precisávamos de uma pequena porção de barbatana (no caso dos peixes), ou de um artículo de uma pata (no caso dos cavacos). Conforme uma analogia feita por uma das nossas alunas, a Catarina, tanto uma como outra estrutura regeneram ao fim de algum tempo, pelo que este seria um processo semelhante a cortar uma unha com um efeito mínimo e ainda por cima temporário. A mesma sorte tiveram diversas moreias que tinham entrado nas armadilhas que haviamos largado na véspera e que os nossos alunos, com o Paulo o nosso “pescador” à cabeça, tinham entretanto recolhido. Também elas foram devolvidas com alguns raios de barbatana a menos.


Mas desenganem-se os que pensarem que ficou algum mau ambiente para os lados da cozinha do navio. Poucos minutos depois estavávamos em amena cavaqueira (e que expressão tão apropriada depois de termos solto tantos petiscos com o mesmo nome) na cozinha com o Frederico, o Paixão e outros elementos da tripulação que não só compreenderam as nossas preocupações como nos ofereceram umas cervejas para selar o assunto e seguir em frente.


Nessa noite transpusemos a distância que separa os cumes do Gettysburg, onde tinhamos feito todos os mergulhos até então, dos cumes do Ormonde (outro cume que ronda os 40 m nas zonas mais altas). Mais uma vez esperáva-nos um cenário fabuloso, com um fundo mais irregular coberto de enormes laminárias que chegavam a atingir cerca de 2 m de altura. Mais uma vez fomos escoltados por um cardume de lírios com alguns exemplares que seguramente pesariam mais do que 40 Kg e com um comportamento muito mais cauteloso do que os restantes, mais pequenos, que se aproximavam até à distância de um braço. Pensei imediatamente que era absolutamente imprescindível dar a conhecer estas imagens do Gorringe ao maior número de pessoas possível, pois ainda acredito que esta é a melhor forma de proteger habitats únicos como este, juntamente com os seus habitantes. Aliás, foi com agrado que constatei que existem já propostas da WWF nesse sentido. Esta confiança que depositaram em nós seria fatal com outros menos escrupulosos e respeitadores deste ambiente tranquilo e único.


Mais uma vez avistamos 2 cabozes mas eles não estavam de acordo em contribuir mais um pouco para o conhecimento científico e esquivaram-se apesar dos nossos melhores esforços. No entanto, combinámos um novo encontro para o ano que vem e ninguém ficou com ressentimentos.
Estava na altura de regressar e tinhamos ainda uma surpresa bem guardada. Com a maior parte do trabalho concluido e com um mar com ondas que deviam atingir a espantosa marca de 20 cm, tinhamos ainda tempo para um último mergulho. Estávamos a guardá-lo para que alguns dos alunos que já tinham o curso de mergulho, pudessem experimentar a sensação de mergulhar naquele azul oceânico. Os responsáveis pelo planeamento de todos os mergulhos, o José Tourais e a Isabel Alpiarça, estipularam um número máximo de 5 mergulhadores para os acompanharem no último mergulho da expedição. Lá foram a Catarina, o Paulo, a Inês, o Alberto e o António para um dos mergulhos da vida deles.

Ficaram à espera junto ao cabo da bóia a cerca de 15 m e, pela descrição que ouvi a bordo, os lirios repetiram a sua já conhecida hospitalidade mas desta vez em números de cortar o fôlego. E foi em êxtase que os 5 chegaram a bordo do Creoula com um sorriso que se conseguia ver com o semirígido a uma milha de distância. E foi assim, com chave de ouro, que terminaram os mergulhos na LusoExpedição 2006.

Em jeito de balanço científico final, pouco tempo após o regresso à base do Alfeite, que teve lugar no dia 8 de Junho, podemos destacar os seguintes resultados preliminares:
1) Aumentámos em 40% as espécies descritas para o local;
2) Uma nova espécie para a ciência? Um molusco provisoriamente baptizado Calliostoma creoulensis;
3) Biodiversidade geral inferior à esperada mas cada espécie estava presente em quantidades e dimensões fora do vulgar.
Resta ainda muito trabalho que se vai desenrolar nos laboratórios das universidades envolvidas neste projecto ao longo deste ano e...
Para o ano há mais...uma LusoExpedição 2007? Fica lançado o repto...

(texto enviado para a revista Navegar)

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